Depoimento do Autor
Vou lhes contar a trajetória que me levou a adotar um estilo de vida com alimentos crus:
Desde a infância pensava que só deveríamos colocar para dentro do nosso corpo aquilo que fosse útil, o que realmente fosse necessário para os processos vitais, e desta forma foi o meu pensamento até a idade adulta. Intuitivamente selecionava bem o que comia e observava as suas reações. Quando comia alguma coisa e passava mal, as pessoas diziam que tinha que tomar um medicamento para aliviar o sintoma. No meu entendimento tinha que encontrar qual o alimento que causou o mal-estar e eliminar definitivamente, e não comer outro alimento ou outra substância para combater o sintoma. Não adiantaria tomar um antiácido para combater a acidez, mas identificar o que causou a acidez e eliminar definitivamente.
Comecei a confrontar os ensinamentos praticados no meio acadêmico com as experiências pessoais e análise do ambiente o qual me encontrava imerso. Alguma coisa de errado estava acontecendo e não tinha a menor idéia. Continuei procurando.
Gozava de uma boa saúde, mas muitas situações que a ciência hoje considera normal para mim é doença. Não me conformava com as toxinas, secreções, mucos, que o nosso organismo libera freqüentemente, incômodos e desconfortáveis. Procurando entender este paradoxo e outros mistérios ocultos, extra-sensorial subjacente à existência humana, tornei-me autodidata, estudando as terapias alternativas e procurando vestígio de culturas antigas como a Ayurvédica, que me deu uma grande luz neste caminho. Pensava que a alimentação e os processos psicossomáticos seriam os grandes influenciadores para uma boa saúde. Comprei vários livros sobre alimentação, neurolingüística (PNL) e auto-ajuda. Depois de estudar as obras de grandes especialistas em nutrição cheguei à conclusão que todo conhecimento que a ciência contemporânea dispõe não é suficiente para prolongar a juventude e longevidade, não porque ela esteja errada, mas porque se adaptou a cultura e ao estilo de vida de uma espécie.
Para obter os nutrientes necessário ao bom funcionamento do nosso corpo, (“máquina”) seria necessário o consumo de uma quantidade enorme de alimentos para fornecer sais minerais, vitaminas, carboidratos, proteínas e etc. No meu entendimento, esta quantidade de alimentos ingeridos todos os dias só poderiam causar uma sobre carga e falência dos órgãos em tempo prematuro, comprometendo todo o sistema. Finalizei aqui a esperança de obter saúde e longevidade usando o método ortodoxo. Restava-me então trilhar outros caminhos e não tinha a menor idéia por onde começar.
Iniciei um processo de alimentação desintoxicante. Por dois anos mantive uma alimentação a base de sucos de vegetais, frutas, arroz integral, mandioca e inhame cozidos. O peso máximo que atingir durante toda minha vida foi de 67 Kg. No primeiro mês alimentei-me apenas de sucos de vegetais e frutas centrifugadas, perdi 12 kg em mais ou menos 20 dias. Depois que acrescentei os outros alimentos sólidos acima, estabilizei em mais ou menos 59 Kg. Com dois anos que estava neste processo sofri um acidente de automóvel, que ficou totalmente destruído, e deixou-me preso nas ferragens gravemente ferido, com fraturas múltiplas no pé, joelho e fêmur. Fui levado para o hospital onde fiquei uma semana e passei por uma cirurgia que levou vários parafusos e placa de platina para fixar os pedaços de ossos. Durante o período de recuperação fui orientado a alimentar-me normalmente com comida tradicional. Eu sabia que este tipo de alimentação não poderia me fazer bem, pois já estava há dois anos sem ela. Segui o conselho. Comecei a comer carne e comida cozida por insistência dos meus familiares. Dois dias com esta alimentação cheguei à conclusão que as dores na minha perna estavam aumentando e observei que o pico de dor ocorria logo após a refeição. Pensei... a alimentação cozida provoca leucocitose digestiva, com o aumento de anticorpos poderia está ocorrendo uma concentração maior onde havia o ferimento e os parafusos, causando o aumento da dor numa tentativa em vão do organismo se livrar dos parafusos. Uma segunda possibilidade para explicar o aumento das dores seria o congestionamento do fígado, causando um fluxo lento de sangue pelo processo digestivo e comprometendo todo o sistema circulatório com incidência maior nos membros inferiores. Novamente na área ferida e com parafusos, a circulação estaria comprometida, poderia ser esta a causa. Sabia que a alimentação leve e crua não causa leucocitose digestiva e também não sobrecarrega o fígado, pois é de fácil digestão. Pronto... comecei a colocar em prática as técnicas que tinha aprendido sobre alimentação, meditação e auto-hipnose para suportar a dor e o desconforto pós-cirúrgico. Estava me sentindo bem, tornei-me um crudívoro, mas tinha pouco conhecimento e não conhecia ninguém que se alimentava desta forma. Lembrei-me que tinha anotado em uma agenda de livros em pendência para comprar, um sobre tratamento com alimentos crus do Edmond Bordeaux Szekely. Comprei o Evangelho Essênio da Paz e os Ensinamentos dos Essênios. Fiquei encantado com as informações ali encontradas. Pude confrontar a ciência contemporânea com a ciência antiga e concluir que elas se complementam, chegando ao mesmo ponto, embora por caminhos diferentes. Uma microscópica, reducionista, outra macroscópica, sistêmica. Não tinha mais dúvida, a sonhada saúde perfeita e o aumento da juventude e da longevidade só poderia ser alcançada com a mudança de estilo de vida coerente com os processos cognitivos da natureza, pois estabelecemos uma simbiose com ela e tudo que modifica a estrutura molecular, quebrando a cadeia simbiótica organizada pela natureza, também nos afeta, causando doenças e mutações genéticas a longo prazo.
Analisando os efeitos benéficos da alimentação crua comparei o homem com um porco, um cavalo, uma vaca. Com as fezes do porco, que come cru, pode-se alimentar uma pisicultura, e indiretamente o homem que come deste peixe, come os nutrientes das fezes suínas que alimentou o peixe. Do cavalo aproveita as fezes para o esterco, que fornece nutrientes às plantas que ingerimos, a vaca idem. Todos são fortes, de boa estrutura muscular e ossos fortes. O homem que come cozido, com suas fezes contamina o meio ambiente, as plantações, os rios, tem osteoporose e já tem os dentes podres na infância. Quando vai ao banheiro ninguém suporta o malcheiro. Imagina o que esta podridão pode causar dentro do corpo, contaminando o sangue e destruindo toda uma estrutura que a natureza levou milhares de anos para lapidar. Com esse pensamento sou eternamente crudívoro, até encontrar outra forma mais inteligente de sustentar a vida que jaz em mim.
Recuperei-me da cirurgia. Após três anos e meio com os parafusos na perna praticando e pesquisando crudivorismo fiz a cirurgia para retirar. A perna está ótima, mais forte do que nunca. As secreções, mucos, toxinas, cocô fedorento que me incomodavam já não existem mais. A alimentação 100% crua não causa estes desconfortos.
Quero salientar que estas informações não tem o objetivo de incentivar o uso de métodos isolados para solução de nenhum problema. A boa saúde não depende só de alimentos. Usei o método aqui delineado como coadjuvante. Contei com a ajuda de uma equipe de bons profissionais, o conhecimento e as mãos habilidosas de um bom cirurgião que colocou os pedaços de ossos em seus devidos lugares preservando tecidos e reconstituindo a anatomia. Além de contar com uma equipe de enfermeiras e fisioterapeutas que foram de grande ajuda em minha recuperação.
O crudivorismo não é uma dieta e nem uma terapia para tratamento de doenças, é um estilo de vida saudável que promove mudanças no ambiente do nosso corpo para que a saúde se estabeleça. A cura, geralmente acontece porque com a mudança de hábito a pessoa elimina da alimentação aquilo que lhe causava mal. Procure usar estas informações para aprender mais sobre seu problema e ter condições de tomar decisões junto com o profissional de saúde, compreender melhor as vantagens e desvantagens dos tratamentos, tanto ortodoxos quanto alternativos e aprender como os diversos métodos podem se complementar; identificar profissionais idôneos, especializados no tratamento do seu problema.
Antônio Jesus Silva
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